sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Histórias de vida 4

(Por Américo Abalada) 

7 - A morte de Alfredo Lima em 1950
A GNR assassinou Alfredo Lima o acto foi sentido pela esmagadora maioria da população trabalhadora de Alpiarça, eles mataram-no e levaram-no para Santarém, não se sabe porquê, porque Alfredo já estava morto, segundo diziam testemunhas oculares.
A indignação a revolta da população, criou grandes dificuldades ao regime na altura que as pessoas não se acomodaram, não foram trabalhar, para participar no funeral, mas o embaraço das autoridades era tanta, pela pressão das pessoas, que diziam que o funeral era de manhã depois de tarde e depois no outro dia, e no outro, a população não desarmava, juntava-se pela baixa em grandes quantidades.
Até que enterraram Alfredo Lima em segredo no cemitério em Santarém. Foi uma atitude de grande cobardia, esta tinha sido uma vitória da unidade e repúdio da população.
O caso foi sentido de tal maneira que vinte e quatro anos depois, em 25 de Abril de 1974, é derrubado o regime fascista de Salazar e Caetano, e passados poucos meses a transladação dos ossos de Alfredo Lima são transladados de Santarém para Alpiarça numa grande acção de massas, que participa de novo quase toda a população.
Esta a prova prática da resistência deste povo desta terra, pelo direito ao trabalho a salários dignos, e não a repressão que o regime consagrava, a luta em 48 anos foi difícil, muito difícil, mas com derrotas e pequena vitória destas e muitas outras pequenas vitórias, que pareciam ser insignificantes, consciencializaram as populações e enfraqueceram o regime até a vitória final da Liberdade e Democracia, hoje de novo muita afectada pela política realizada a mais de trinta anos pelos sucessivos governos.

8 - A fuga adiou a prisão
Aos meus cinco anos de idade, ou seja em 1958, o meu pai tinha fugido, por motivos políticos, para não ser preso visto a bufaria andar já muito a traz dele, e alguns camaradas deram-lhe a opinião de ele sair uns tempos da terra, depois logo se via.
Um dia minha mãe diz-me que íamos ter com o meu pai, perguntei onde, e responde minha mãe que não sabia deviam-nos lá levar.
Certo dia carregamos uma tralha tipo meloeiros, pouca coisa, na carrinha de caixa aberta de João José “Diabo” pai de Armindo João Gaspar Pinhão, ex-presidente de Câmara de Alpiarça, eleito pelo Partido Comunista Português. Lá partimos sem saber o destino naturalmente por medidas de segurança, para se fossemos intersectados pela PIDE não nos podermos descuidar com a informação imprópria dizendo sem crer onde estava o meu pai. Quando chegamos não sabíamos onde estávamos e João José informou que estávamos no campo de Azambuja, e fazia meloal ao pé onde ficávamos o António Leocádio “O Vinagre”, toda a família já faleceu, morava em frente da DaniDoce, faleceu ele a mulher filha genro e neto. Ficamos numa barraca dum senhor conhecido de António Leocádio, que fazia grande seara de arroz. Ao chegar, ia muito mal disposto da viagem cria ver o meu pai ele não apareceu instantaneamente, senti-me inseguro comecei a chorar, que só parou a chegada do meu pai dai por um bocado, eles descarregaram as nossas coisas que trazia-mos colocaram dentro da barraca do homem do arrozal e o João José “Diabo” lá partiu para Alpiarça.
Ao chegarmos o meu pai andava com um braço ligado, não sabíamos o que tinha acontecido, então foi ele que ia dormir noutra barraca longe dali por motivos de segurança, e de noite fazia o caminhada a atalhar saltava valas, nessa dita noite do acidente ia a saltar a uma das valas com uma inchada as costas e errou o salto caiu para cima da inchada e fez um grande golpe no braço, que teve de ser socorrido porque o golpe era grande e fundo. Mas como resolvia o problema? Visto para ir ao médico tinha de se identificar e não podia ser por motivos de segurança, lá resolveu ir dar uma identificação falsa, o médico coseu o braço levou ainda muitos pontos, não me lembro quantos, e fez os restantes curativos não voltando mais.
Lá fiquei até ao fim das searas com minha mãe e meu pai, eles trabalhavam e eu acompanhava-os, para não ficar sozinho na barraca, a vida era de grande secretismo para correr tudo bem, na altura vivia-se com fracas posses, para não dizer que a vida era de miséria.
Coisas de criança, lembro-me que quando cheguei existia uma gata com gatinho pequeninos ainda com os olhos fechados, que tinham nascido numa das noites anteriores na barraca onde o meu pai dormia a cabeceira dele, era uma das minhas brincadeiras, ganhei certa amizade aos animais, que quando viemos embora trouxe uma gatinha pequenina, que morreu de velha lá em casa, sempre tratada por toda a família com um carinho diferente pela circunstância. Esta e outras referências da repressão do regime ficam para sempre gravadas na memória de uma criança, que fazem o fio condutor da sua vida.

(Continua)

Histórias de vida (3)

 (Por Américo Abalada)
5-Primeira morte em 1919 na praça de jornas.
Deportados para Angola - Malange
Joaquim Miguel fere-se quando a GNR faz a primeira morte na praça de jornas, João Cardigo, deixa uma filha com 3 meses. Isto acontece em 1919, quando os trabalhadores estavam reunidos para exigir aumentos de salários e melhores condições de trabalho, também foi ferido numa perna o camarada João da Rama.
Luta de 1927 na praça de Jornas, os trabalhadores concentraram-se, o capataz Pedro Prancácio, traz ordem do patrão Manuel Paciência Gaspar, para fazer a proposta de baixar os ordenados de 7$00 para 6$00, este capataz era interino visto os outros capatazes recusarem-se a propor baixar o preço, os trabalhadores indignados começaram a chamar nomes, lacaio traidor formou-se grande agitação o capataz dizia que chamava a GNR, mas estes sabendo a situação já estavam por perto, estavam sempre ao lado dos agrários, “ as forças da ordem estão sempre ao lado dos exploradores”, apareceram a GNR começa a coronhada aos trabalhadores, estes indignados com a injustiça, voltaram-se a GNR e estes aqui não tiram a melhor visto os trabalhadores tiraram-lhes as armas deram-lhes com elas e destruíram as armas.
Resultado, uns presos outros deportados para África sem julgamento. Para Angola Malanje, vai Francisco dos Santos Abalada, tinha 22 anos de idade, deixou um filho António Malaquias Abalada com seis meses de idade, Guilherme Agostinho, com 18 anos solteiro e José Arnega.
Francisco dos Santos Abalada, faleceu meses depois de chegar a Malanje, os seus camaradas dizem que apanhou febres Africanas e que ele não resistiu, eles é que lhe fizeram o enterro, chegaram a andar com ele as costas para onde eram obrigados a ir para tomar conta dele e não o deixar sem apoio mínimo que fosse. A sua estadia em África foi tipo trabalho de escravo.
Mais tarde Guilherme Agostinho e José Arnega voltaram a Alpiarça.
Foram desterrados para o Alentejo Joaquim dos Santos Abalada e Manuel Precaté. Fugiu e andou 10 anos sem voltar a Alpiarça, Manuel da Silva Calado, ficando com a alcunha o “fugidio”. Esta luta ficou gravada na memória da população de Alpiarça pelas suas proporções, ela foi desenvolvida a seguir ao golpe fascista em 1926.


6- A primeira mulher Presa Politica em Alpiarça.
Em 1936 desenvolveu-se outra grande luta para aumento de salários, a GNR entrou na praça de jornas a cavalo espezinhando os trabalhadores com os cavalos selvaticamente e disparando tiros. Muitos homens foram presos e salientar que pela primeira vez foi presa também uma mulher, Joaquina Farinha Relvas “salientar que esta mulher foi sempre combativa até hoje que estamos no ano de 1980”. As mulheres em Alpiarça sempre estiveram ao lado dos seus companheiros na luta por salários mais dignos e por melhores condições de trabalho, as mulheres foram ainda muito mais exploradas que os homens, as mulheres em Abril de 1974 tinham um salário metade do homem, com trabalho por vezes igual.
Os fascistas nesta época já estavam bem organizados com grande máquina repressiva, o fascismo escudava-se dizendo que o povo de Alpiarça era comunista e tinha de ser combatido mandando para a repressão grande aparato da GNR e por vezes a cavalo, tentando convencer o povo em geral que não merecíamos consideração.
Os trabalhadores de Alpiarça não sabiam o que era o Socialismo nem o Comunismo, mas eram simpatizantes da revolução Russa “os ditos Sovietes”.
Joaquim Miguel continua o seu depoimento, eu acompanhei a Revolução da Republica, o que eu tenho a dizer é que houve liberdade, houve sim, pouco tempo, foi uma revolução burguesa que acabou com monarquia feudal, mas não acabaram com as estruturas feudais, estes ficaram nos postos chaves da jovem Republica, em 1926 fazem o golpe fascista e são sempre os mesmos.
Se os republicanos estivessem com os trabalhadores, nunca os fascistas tinham conseguido fazer o golpe, quando os trabalhadores pediam aumento de salário o Governo Republicano e os agrários mandavam a GNR carregar para cima de quem produzia, por isso os trabalhadores perderam a confiança nos governantes.
A seguir a Republica os trabalhadores rurais formam o seu sindicato, chamado Associação dos Trabalhadores Rurais, com sede em Évora, fazem parte dessa direcção 10 nomes de Alpiarça, de seguida cinco destes vão trabalhar para grandes casas agrícolas na época gente contra revolucionária, agrários contra a Republica, chamaram para feitores os tais cinco homens do associação dos rurais,“podia citar os nomes mas não me vou prestar a isso” estes formaram-se uns lacaios dos agrários contra os camaradas de trabalho, chegaram em lutas ameaçar os trabalhadores com prisão. 

(Continua)

Lembrar Alfredo Lima (6)





Lembrar Alfredo Lima (5)

60.º aniversário do assassinato do jovem comunista e trabalhador agrícola de Alpiarça
ALFREDO LIMA

ALPIARÇA
UM SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA AO FASCISMO E DA LUTA PELA LIBERDADE
A luta por aumentos de salários travada a 4 de Junho pelos trabalhadores agrícolas de Alpiarça, na qual as mulheres e a juventude tiveram participação destacada, inscreve-se na história da heróica e constante luta dos trabalhadores agrícolas de Alpiarça, iniciada ainda no período da República, prosseguida e intensificada durante o regime fascista.
Uma luta que, pela sua grandeza, constância e natureza, fizeram de Alpiarça um dos símbolos da luta contra o fascismo e pela liberdade.
O povo de Alpiarça nunca se intimidou, nunca se vergou à repressão por mais violenta que fosse. A cada investida das forças repressivas – PIDE e GNR – os trabalhadores, a população de Alpiarça foram sempre capazes de se erguer, reunir forças para prosseguir com confiança e determinação a luta por melhores condições de vida, pela liberdade e pela democracia.
Ao longo dos anos, os trabalhadores agrícolas – homens e mulheres -, a população de Alpiarça travaram numerosas lutas por melhores salários, contra o desemprego, pela redução do horário de trabalho, contra repressão. Pela libertação dos presos, participando nas grandes batalhas políticas contra o fascismo, das quais se salientam:

►Na Primavera de 1935, os assalariados agrícolas e camponeses de várias localidades do distrito, incluindo Alpiarça, desencadearam importantes acções contra a política do «Estado Novo».
Fonte: Frente da Luta Operário Camponesa. Os Camponeses revoltam-se contra aplítica do «Estado Novo». «Avante!», II Série, nº7, Maio 1935, p. 3
EM OUTUBRO DE 1944, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA EXIGEM NOVAS CONDIÇÕES DE TRABALHO.
Fonte: Vitória dos camponeses – “Ava nte!”, VI Série, nº 66, Nov. 1944, p. 2
EM NOVENBRO DE 1944, AS POPULAÇÕES DE ALPIARÇA E DE ULMA – CHAMUSCA REBELAM-SE CONTRA O RACIONAMENTO E A FALTA DE AZEITE.
Fonte: Movimento Nacional contra a fome e a exploração salazaristas – “Avante!”, VI Série, nº 66, Nov. 1944,p. 3
EM 7, 8 E 9 DE MAIO DE 1945, AS POPULAÇÕES DE ALMEIRIM, ALPIARÇA E SANTARÉM, VITORIAM A DERROTA DA ALEMANHA NAZI, CLAMANDO POR DEMOCRACIA, ELEIÇÕES LIVRES E A LIBERTAÇÃO DOS PRESOS POLÍTICOS.
Fonte: As grandiosas jornadas antifascistas – “Avante!”, VI Série, nº 78, Jun. 1945, p. 1
EM JULHO-AGOSTO DE 1945, OS TRABALHADORES DE ALPIARÇA, VALE DE FIGUEIRA E ALCANHÕES, EM SANTARÉM, ELEGEM AS SUAS COMISSÕES E EXIGEM TRABALHO NAS RESPECTIVAS CASA DO POVO.
Fonte: Os camponeses contra o desemprego – “Avante!”, VI Série, nº 81, Out. 1945, p. 2
EM 27 DE JUNHO DE 1949, MAIS DE 100 OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA, CONCENTRAM-SE JUNTO À CÂMARA MUNICIPAL, PROTESTANDO CONTRA O DESEMPREGO.
 Fonte: Mais lutas e mais vitórias – “O Camponês”, Ano III, nº 27, Jul. 1949, p. 2
EM 4, 5 E 6 DE JUNHO DE 1950, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA RESISTEM NA PRAÇA DE JORNA, LUTANDO POR AUMENTO DE SALÁRIO. A GNR ESPANCA ALGUMAS MULHERES E ABRE FOGO SOBRE OS MANIFESTANTES, TENDO SIDO ASSASSINADO O OPERÁRIO AGRÍCOLA ALFREDO LIMA. EM SINAL DE LUTO OS TRABALHADORES ENTRAM EM GREVE.
Fonte: Greves e manifestações em Alpiarça – “Avante!”, VI Série, nº 150, Ago. 1950, p. 1
EM 27 DE JUNHO DE 1952, A DIRECÇÃO DO CLUBE “OS ÁGUIAS” DE ALPIARÇA, ACOMPANHADA EM MASSA PELA POPULAÇÃO, MANIFESTA-SE NA CÂMARA, EM PROTESTO CONTRA AS PROVOCAÇÕES FASCISTAS.
Fonte: O povo de Alpiarça contra a repressão – “Avante!”, VI Série, nº 170, Ago. 1952, p. 4
EM MEADOS DE JULHO DE 1952, 200 OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE EM FRENTE À RESIDÊNCIA DO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, PROTESTANDO CONTRA O DESEMPREGO E EXIGINDO TRABALHO.
Fonte: Camponeses de Alpiarça em frente na luta! – “Avante!”, VI Série, nº 171, Out. 1952, p. 2
NO VERÃO DE 1952, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA, ALMEIRIM E SAMORA CORREIA, LIDERADOS PELAS RESPECTIVAS COMISSÕES, CONSEGUEM AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Depois da greve dos camponeses do Alentejo, os camponeses do Ribatejo lançam-se na luta – “Avante!”, VI Série, nº 170, Ago. 1952, p. 2; lutemos por trabalho e pão para todos – “Os Camponeses”, Ano V, nº 36, Out. 1953, p. 1
EM 1953, CERCA DE 40 TRABALHADORES RURAIS DE UM RANCHO DE ALPIARÇA RECUSARAM INICIAR A ACTIVIDADE AO NASCER DO SOL, IMPONDO AO PATRÃO AS CONDIÇÕES ANTERIORES.
Fonte: Camponeses e camponesas! – “Avante!”, VI Série, nº 174, Jan. 1953, p. 3 
EM SETEMBRO DE 1954, OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DESEMPREGADOS CONCENTRAN-SE NA CÂMARA MUNICIPAL DE ALPIARÇA, EXIGINDO TRABALHO.
Fonte: Lutas da classe operária contra a exploração e a campanha de produtividade – “Avante!”, p. 3; A luta firme dos camponeses vence o desemprego – “O camponês”, Ano VI, nº 46, Nov./Dez., 1954, p. 2
EM 1956, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA EFECTUARAM UMA GREVE DE TRÊS DIAS POR AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Por melhores jornas lutam os camponeses do Ribatejo – “Avante!”, VI Série, nº 216, Jul. 1956, p. 2
ENTRE 5 E 7 DE FEVEREIRO DE 1956, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA ENTRAM EM GREVE, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Greves vitoriosas dos camponeses de Alpiarça! – “Avante!”, VI Série, nº 211 Fev-Mar. 1956, p. 3
EM ABRIL DE 1956, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE NA CÂMARA MUNICIPAL, EXIGINDO TRABALHO E PROTESTANDO CONTRA O DESEMPREGO.
Fonte: As baixas jornas e o desemprego obrigam os camponeses a lutar – “Avante!”, VI Série, nº 213, Maio 1956, p. 2
EM MAIO DE 1956, AS MULHERES DE ALPIARÇA RECOLHEM 200 ASSINATURAS PARA UMA EXPOSIÇÃO CONTRA A CARESTIA DE VIDA.
Fonte: Contra a vida cara! – “Avante!”, VI Série, nº 214, Jun. 1956, p. 1
EM JANEIRO E FEVEREIRO DE 1958, OS TRABALHADORES RURAIS DE ALPIARÇA FAZEM DIVERSAS CONCENTRAÇÕES, LUTANDO POR AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Conquistas de melhores jornas – “Avante!”, VI Série, nº 252, Abr. 1958, p. 2
EM 23 DE JUNHO DE 1958, OS OPERÁRIOS E CAMPONESES DE ALPIARÇA FAZEM GREVE COMO PROTESTO A BURLA ELEITORAL.
Fonte: Alastra o movimento grevista – “Avante!”, VI Série, nº 258, Jul. 1958, p. 2
EM NOVEMBRO DE 1958, DOIS RANCHOS DE MULHERES DE ALPIARÇA, QUE ANDAM NA APANHA DA AZEITONA, FAZEM GREVE, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Os trabalhadores lutam – “Avante!”, VI Série, nº 267, Nov. 1958, p. 3
EM 7 E 8 DE DEZEMBRO DE 1958, CERCA DE 70 TRABALHADORES RURAIS DE ALPIARÇA, ORGANIZADOS NA PRAÇA DE JORNA, FAZEM GREVE POR AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Greve vitoriosa dos trabalhadores de Alpiarça – “Avante!”, VI Série, nº 269, Jan. 1959, p. 3
EM 4 DE JANEIRO DE 1959, 300 ASSALARIADOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE NA PRAÇA DE JORNA, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO. RECUSAM-SE A TRABALHAR ENQUANTO NÃO FOR SATISFEITA ESTA REIVINDICAÇÃO.
Fonte: Nova greve vitoriosa em Alpiarça – “Avante!”, VI Série, nº 271, Fev. 1959, p. 1
EM 23, 29 E 30 DE ABRIL DE 1959, CENTENAS DE TRABALHADORES RURAIS CONCENTRAM-SE NA CÂMARA MUNICIPAL DE ALPIARÇA, NA PRAÇA DE JORNA E NA CASA DO PRESIDENTE DA CÂMARA, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Nova vitória dos operários agrícolas de Alpiarça – “Avante!”, VI Série, nº 276, Maio 1959, p. 2
EM 3 E 10 DE MAIO DE 1959, CENTENAS DE TRABALHADORES RURAIS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE NA PRAÇA DE JORNA E DECLARAM-SEEM GREVE, RECLAMANDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: Os trabalhadores de Alpiarça novamente em greve – “Avante!”, VI Série, nº 277, Maio 1959, p. 1
EM OUTUBRO DE 1959, 100 OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DESEMPREGADOS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE JUNTO DA CÂMARA MUNICIPAL, EXIGINDO TRABALHO.
Fonte: Só a unidade de acção dos trabalhadores rurais porá fim ao desemprego – “O Camponês”, Ano XIII, nº 70, Out./Nov. 1959, p. 2
 EM ABRIL DE 1960, CERCE DE 600 ASSALARIADOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA, ORGANIZADOS NA PRAÇA DE JORNA, FAZEM GREVE DURANTE 3 DIAS, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 289, Maio 1960, p. 3
EM JUNHO DE 1960, 50 PEDREIROS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE ALPIARÇA FAZEM GREVE, RECLAMANDO AUMENTO DE SALÁRIO.
EM SETEMBRO DE 1960, OS TRABALHADORES RURAIS DE ALPIARÇA FAZEM GREVE DURANTE TRÊS DIAS, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “O Camponês”, Ano XIV, nº 81, Nov. 1960, p. 1
EM JANEIRO DE 1961, CENTENAS DE OPERÁRIOS E OPERÁRIAS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA FAZEM GREVE, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO E ALTERAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE TRABALHO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 296, Jan. 1961, p. 3
EM 13 E 14 DE OUTUBRO DE 1961, OS TRABALHADORES AGRÍCOLAS E INDUSTRIAIS DE ALPIARÇA FAZEM GREVE GERAL, EM SINAL DE PROTESTO CONTRA A REPRESSÃO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 310, Nov. 1961, p. 6
EM 22 DE OUTUBRO DE 1961, DEZENAS DE PESSOAS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE NA CÂMARA MUNICIPAL, PROTESTANTO CONTRA A REPRESSÃO NO REGIME FASCISTA.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 310, Nov. 1961, p. 3
EM 4 DE NOVEMBRO DE 1961, 3.000 PESSOAS DE ALPIARÇA CONCENTRAM-SE NA CÂMARA MUNICIPAL E RECORREM A GREVE GERAL, QUE SE PROLONGOU POR 4 DIAS, CONTRA A REPRESSÃO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 310, Nov. 1961, p. 3
EM 31 DE MARÇO DE 1962, OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA DECIDEM PARALISAR, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 316, Maio 1962, p. 3
EM 8 DE MAIO DE 1962, EM ALPIARÇA, OS TRABALHADORES RURAIS FAZEM GREVE COMO FORMA DE PROTESTO CONTRA A POLÍTICA DO REGIME FASCISTA.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 318, Jun. 1962, p. 2
EM 26 DE JANEIRO DE 1964, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA, ENTRAM EM GREVE, EXIGINDO NOVO AUMENTO DE SALÁRIO. EM FACE DA RECUSA DOS AGRÁRIOS DIRIGEM-SE EM MANIGESTAÇÃO À CÂMARA MUMICIPAL, EXIGINDO DO PRESIDENTE A GARANTIA DE QUE AS SUAS REIVINDICAÇÕES SERÃO SATISFEITAS.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 342, Maio 1964, p. 1
EM 1 DE MAIO DE 1965, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS E DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE ALPIARÇA FAZEM GREVE COMEMORANDO O DIA DO TRABALHADOR.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 355, Maio 1965, p. 2
EM AGOSTO DE 1965, AS MULHERES DE ALPIARÇA FAZEM UMA CONCENTRAÇÃO NA CÂMARA MUNICIPAL, PROTESTANDO CONTRA O DESEMPREGO E EXIGINDO TRABALHO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 359, Set. 1965, p. 4
EM MAIO DE 1967, NO PERÍODO DAS CEIFAS, OS TRABALHADORES DE ALPIARÇA FAZEM GREVE, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 383, Out. 1967, p. 3
EM 1 DE MAIO DE 1967, OS TRBALHADORES AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA FAZEM GREVE COMEMORATIVA DO 1º DE MAIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 378, Maio 1967, p. 3
EM DEZEMBRO DE 1968, OS ASSALARIADOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA FAZEM TRÊS DIAS DE GREVE POR AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 402, Maio 1969, p. 2
DE 20 A 26 DE ABRIL DE 1969, OS OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DA REGIÃO DE ALPIARÇA FAZEM GREVE POR AUMENTO DE SALÁRIO E 8 HORAS DE TRABALHO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 403, Jun. 1969, p. 3
EM 1 DE MAIO DE 1971, A POPULAÇÃO DE ALPIARÇA FAZ UMA GREVE COMEMORATIVA DO DIA DO TRABALHADOR.
Fonte: COSTA, Ramiro da – Elementos para a História do Movimento Operário em Portugal, 2º Vol. (1930 – 1975), Lisboa: Assírio e Alvim, 11979, p. 319
EM 5 DE NOVEMBRO DE 1972, UMA PARTE DOS ASSALARIADOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA RECUSA TRABALHAR POR MENOS DE 100$00 A JORNA.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 449, Jan. 1973, p. 3
DE 19 A 29 DE NOVEMBRO DE 1972, 600 OPERÁRIOS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA DECLARAM-SE EM GREVE.
Fonte: FONSECA, Carlos da – Histórias do Movimento Operários e das Ideias Socialistas em Portugal – I Cronologia, Lisboa: Publicações Europa – América, s.d., p. 231
EM 8 DE MARÇO DE 1973, AS OPERÁRIAS AGRÍCOLAS E OUTRAS TRABALHADORAS DE ALPIARÇA COMEMORAM O DIA INTERNACIONAL DA MULHER COM UMA GREVE GERAL.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 453, Maio 1973, p. 1
EM JULHO DE 1973, 60 SEAREIROS DE ALPIARÇA ELABORAM UMA EXPOSIÇÃO AO GREMIO DA LAVOURA, ONDE SE CONCENTRAM, REIVINDICANDO INDEMNIZAÇÕES PELOS PREJUIZOS CAUSADOS PELAS TREVOADAS NOS MELOAIS.
Fonte: “A Terra”, S. 2, nº 31, Nov. 1973
DE 10 A 17 DE SETEMBRO DE 1973, 250 OPERÁRIAS AGRÍCOLAS DE ALPIARÇA, EM CONCENTRAÇÃO E UNIDAS EM PRAÇA DE JORNA, DECLARAM-SE EM GREVE EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO PARA AS VINDIMAS.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 458, Out. 1973, p. 1
DE 26 A 29 DE NOVEMBRO DE 1973, 6.000 TRABALHADORES RURAIS DOS CONCELHOS DE ALPIARÇA E ALMEIRIM FAZEM GREVE, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 461, Jan. 1974, p. 4
EM MARÇO DE 1974, OS TRACTORISTAS DO CONCELHO DE ALPIARÇA FAZEM UM ABAIXO-ASSINADO, EXIGINDO AUMENTO DE SALÁRIO.
Fonte: “Avante!”, VI Série, nº 463, Mar. 1974, p. 3







Lembrar Alfredo Lima (4)


60.º aniversário do assassinato do jovem comunista e trabalhador agrícola de Alpiarça

ALFREDO LIMA

HOMENAGEM DO POVO DE ALPIARÇA

 
O regime fascista, que durante quase 50 anos oprimiu o povo português, foi responsável pela prisão de dezenas de milhar de portugueses e do assassinato de muitos deles - nas prisões ou na luta de massas -, entre os quais se contam Alfredo Lima, que até mesmo depois de morto continuou a ser vítima da arbitrariedade e da violência próprias do regime fascista e dos seus sequazes do aparelho repressivo.
Para tentar esconder mais este crime do regime e impedir que o povo de Alpiarça pudesse aproveitar o funeral de Alfredo Lima para manifestar a sua indignação e o seu protesto por mais um crime do regime fascista, enterraram-no em Santarém.
Só 24 anos depois, em Junho de 1974, derrubado o fascismo e conquistadas as liberdades, os restos mortais de Alfredo Lima puderam regressar à terra que o viu nascer e morrer – a heróica vila de Alpiarça, símbolo da resistência ao fascismo.
A participação de muitos milhares de pessoas na evocação de Alfredo Lima por ocasião da transladação dos seus restos mortais para o cemitério de Alpiarça, em Junho de 1974, constituiu uma poderosa manifestação de repúdio pelo fascismo e pelos seus crimes e de adesão aos ideais de Abril. 



Foi com Abril que finalmente se tornou possível dar o nome de Alfredo Lima a uma rua de Alpiarça.






O povo de Alpiarça demonstrou assim que não tinha esquecido que a liberdade fora conquistada à custa de muitos sacrifícios amassados no sangue de Alfredo Lima e de tantos outros que deram o melhor das suas vidas à luta pela emancipação dos trabalhadores.





                 (Continua)

Histórias de vida (2)

(Por Américo Abalada)

3 - Greve e morte
Lembro-me de o meu pai me contar com cinco ou seis anos, que o meu avô participou numa greve no ano de 1926 ou 27, a luta era como muitas outras por melhores condições de vida, na altura a miséria era muita passava-se muita fome, muita falta de primeiras necessidades. A greve deu em confrontos directos com a GNR e alguns participantes voltaram-se a GNR tiraram-lhes as espingardas, destruindo-as nas quinas das paredes, um grande problema foi criado.
Algumas pessoas para não serem presas fugiram para Santarém, mas acabaram por ser apanhadas e deportadas para Angola, Malange, em Malange adoeceram com febres, o meu avô esteve algum tempo doente, os seus camaradas contaram que quando se deslocavam, levavam-no com eles, o meu avô já não se levantava transportavam-no numa padiola, até que faleceu, segundo contaram cotizaram-se por todos e compraram a urna e fizeram o funeral, um dos participantes estou a lembrar-me foi o Sr. Guilherme Agostinho, morava na rua Joaquim Magalhães “Fusca” onde mora o filho João conhecido por “João Malandro”, e José Arnega.
O meu pai contava esta situação, mas noutras alturas dizia que um dia havia de o encontrar, muitas vezes pensa que o pai poderia estar vivo e um dia voltar, o sonho de um dia encontrar o pai era na tentação imaginário de um grande desejo que o prosseguia.
A vida foi formando o meu pai e muitos outros como revolucionários, pela prática dos acontecimentos, pelas injustiças sociais e pelas injustiças do procedimento do regime.
É como hoje o capitalismo mostra não conseguir resolver os problemas da humanidade, a ganância do lucro do dinheiro fácil é tanta que não é social, e cada vez mais pessoas vão compreendendo, que o capitalismo não pode ser o ultimo sistema de organização das sociedades, o capitalismo é o coveiro de si próprio como dizia Marx.

4 - A implantação da Republica em 1910

Depoimento de Joaquim Miguel, homem nascido no século XIX faz este depoimento com 83 anos de idade no ano de 1980. “Registo de António Abalada”. 
Os trabalhadores rurais antes da implantação da Republica Trabalhavam de sol a sol.
É bom lembrar aos que não sabem como os seus antepassados sofriam, uma das maiores explorações dessa época. Hoje temos regalias a custa dos sacrifícios deles, foi preciso grandes lutas para se conquistar o que hoje temos a usufruir.
Em 1911 e 12 os trabalhadores rurais lutaram para acabar com o horário de trabalho de sol a sol, nas vindimas ainda havia a agravante que os homens trabalhavam nos lagares a pisar as uvas e fazer o vinho do nascer do sol até a meia-noite.
Muitas lutas foram travadas para acabar com esta exploração aos trabalhadores rurais, eram reprimidos e espancados nos próprios locais onde reivindicavam o que tinham direito.
Só em 1937 e 38 é que os trabalhadores conquistaram o horário de trabalho nos lagares na pisa das uvas e fazer o vinho do nascer do sol até as 21,30 horas da noite, só nesta data foi abolido a exploração trabalhar até a meia-noite.
Foi uma das grandes conquistas, porque não havia condições de luta para acabar totalmente, mas só mais tarde é que se conseguiu abolir essa horrível exploração.
Para se conquistar alguma regalia é necessário que os trabalhadores tenham a noção da unidade para que a luta seja vitoriosa, ao lembrar as dificuldades que havia para organizar os trabalhadores para as reivindicações, a organização era muito débil, não havia estruturas, não havia Partido de classe, não havia esclarecimento das necessidades para a acção dos trabalhadores. Quando se reivindicava as forças repressivas caíam em cima de nós trabalhadores. 

(Continua)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Histórias de Vida


(por Américo Abalada)

1 - Memorizando
Aos cinco seis anos de idade fui, memorizando o que os meus pais me deviam ter contado muitas e muitas vezes coisas da nossa vida familiar. O meu pai foi preso  quando  a luta na morte de Alfredo Lima, este foi assassinado na praça de jornas.
O que era a praça de jornas?
Era um local onde os trabalhadores se juntavam para conseguir trabalho, normalmente no campo. Os capatazes mandados pelos patrões, contratavam-nos para os dias ou a semana de trabalho conforme o interesse do patrão.
Na praça de jornas os capatazes tentavam ao mando do patrão, contratar os trabalhadores com o salário mais baixo possível. Por vezes a luta era ralhada, quando os trabalhadores se juntavam a uma só voz, conseguia-se aumento de salário.
Era o que estavam a fazer quando mataram Alfredo Lima, como é sabido o regime fascista de Salazar estava sempre com o poder económico, com os patrões, e a GNR cumpria o papel do sistema, ao mando dos patrões na praça de jornas intimidavam os trabalhadores para não reivindicarem, por vezes existia conflito porque a necessidade era muita e existia consciência de classe, da exploração que estavam a ser sujeitos.
A GNR começou a disparar para intimidar os trabalhadores e mata Alfredo Lima.
Dias depois continua a intimidação e começam as prisões dos mais activos, tivessem presentes ou não.
Foi a primeira prisão do meu pai, andava a trabalhar fora da terra, nesse fim-de-semana não veio a casa, não esteve na praça de jorna, mas foi preso porque devia estar referenciado como desobediente ao regime.
Esta realidade foi-me contada, visto eu ainda não ter nascido o meu pai era solteiro.

2 - Prisão e morte
Na minha infância tive uma vida igual a muitos outros miúdos, mas com uma particularidade como poucos, de começar a compreender no concreto o porquê da luta de classes.
Aos cinco seis anos quando nós já memorizamos coisas de criança e que nunca mais esquecem, ficam para toda a vida.
Lembro de o meu pai contar, que quando foi preso pela morte de Alfredo Lima durante dois meses, sem culpa formada visto ele nem ter participado nessa praça de jornas. O conto destas situações trazia sempre alguma revolta visto a sua injustiça, mas amadureciam as pessoas, iam ganhando primeiro revolta, depois coragem e mais tarde consciência de classe e firmeza para enfrentar a dura luta contra as injustiças do capitalismo levado ao seu extremo a ditadura fascista.
O meu pai sentia-se revoltado em primeira situação pela morte do seu pai, meu avô que nunca chegou a conhecer visto ser deportado para Angola e lá ter falecido, quando foi deportado a minha avó ficou grávida do meu pai, nasceu e nunca conheceu o pai, mas teve sempre esperança que o um dia o encontrava. Foi uma grande mágoa que levou com ele nunca ter conhecido o pai, muita vez na vida me mostrou a sua indignação por tal situação, muita vez me transmitia a tristeza de não ter pai e nunca o ter conhecido, e nem fotografia existia.

(Continua)

Esclarecimento

Para defesa do meu bom nome e uma vez que o Sr. António Centeio só publica os comentários que bem entende e mesmo assim alterando-os a seu bel-prazer, seria bom que a Administração deste Blogue - AGITALPIARÇA, pusesse um desmentido informando que para todos os efeitos eu, Ricardo Vaz não sou autor e muito menos administrador do Agitalpiarça.
O meu Obrigado e parabéns pelo vosso trabalho. 
Ricardo Vaz

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Obrigado pá !

A equipa do AgitAlpiarça agradece ao Rotundas & Encruzilhadas, a publicação do ranking de visitas a blogues de Alpiarça.

É que embora tenhamos ficado classificados em terceiro e ultimo lugar, as visitas a este blogue dispararam desde aí.

É motivo para dizer: "Porreiro pá, obrigado"

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vamos à Biblioteca?

 Rodrigo Miguel Militão Rodrigues
Nasceu em Lisboa a 26 de Outubro de 1978. Viveu parte da infância em Oeiras e com nove anos foi viver para a ilha de S. Miguel - Açores, onde estudou Artes.

Regressou ao continente no ano de 1998, indo morar para Oeiras e de seguida para Carcavelos. Em 2010 veio residir para Alpiarça, terra da sua avó paterna.
Desde jovem gosta de pintura e desenho.
A exposição estará patente ao público de 6 de Agosto a 4 de Setembro, no átrio da Biblioteca Municipal.

Lembrar Alfredo Lima (3)

60.º aniversário do assassinato do jovem comunista e trabalhador agrícola de Alpiarça

ALFREDO LIMA




Na sequência da brutal repressão que se abateu sobre os trabalhadores agrícolas de Alpiarça em luta no dia 4 de Junho de 1950, no decurso da qual foi assassinado Alfredo Lima e feridos os trabalhadores Angelino Arraiolos, Manuel Piscalho e Raúl Farroupa Casaca, foram presos cerca de uma vintena de trabalhadores:

Angelino Arraiolos
 
António Caetano Quartilho

António Malaquias Abalada

António Ídio Bento Lima 
Alberto do Céu Pinto
Clarisse Tacão
Diamantino da Conceição Bernardo
Flauzino Abalada
Felismina da Conceição Figueiredo
José Augusto Pinto
José da Conceição Bernardo
Joaquim Maria Pedrosa
Joaquim Rosa do Norte
Joaquim da Conceição Elias
Joaquim Claudino dos Santos
Júlio Agostinho Marques
Lucinda Samarro
Manuel Piscalho
Raúl Alcobia Blindorro
Raúl Farroupa Casaca
Rui Freitas Margaça