segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PCP apela à participação do povo português na Manifestação "Paz sim, NATO não"

PCP apela à participação do povo português na Manifestação "Paz sim, NATO não"

Os «bem vindos» de Sócrates & CIA

Por: Carlos Gonçalves

Decorre em Lisboa a 20 de Novembro a cimeira da NATO, com delegações de alto nível dos 28 membros e outras que aqui virão encontrar-se com a «liderança» da mais importante aliança militar do imperialismo - cada vez mais super-estrutura planetária de projecção de força, de agressão, opressão e guerra aos direitos e soberania dos povos e de subversão do direito internacional.
Muitos dos que vão participar na cimeira, ou circular na «sala de espera», virão à «corte do imperialismo» apenas para a genuflexão de vassalagem, ou pela «socialite», devidamente mediatizada.
Mas não haja subestimação. Vão decidir novos passos na ofensiva do imperialismo. Não lhes chega a guerra no Afeganistão e Paquistão, o cerco à Rússia e à China, a UE feita pilar europeu da NATO, agora visam um «Conceito Estratégico» para novas agressões e projectar poder no Atlântico Sul, no Índico, em África...
Perigos que os povos do mundo têm de combater, como estamos a fazer por cá - o povo português não esquece o apoio ao fascismo e ao colonialismo, as ameaças à Revolução de Abril, as bases estrangeiras, a presença das FFAAs nas guerras imperialistas. A NATO não é bem vinda em Portugal!
A cimeira da NATO é bem vinda para o PS/Sócrates, o PSD, Cavaco Silva e os mandantes desta criminosa política de direita. A ocasião de subserviência ao imperialismo norte-americano e às grandes potência europeias é uma oportunidade de se mascararem de «estadistas» e de dourarem o embrulho do apoio dos «aliados».
É a ocasião de avançar no seu desígnio de limitar direitos, liberdades e garantias, de impor medidas securitárias e repressivas, de intimidação e arbitrariedade policial e de espionagem e de instigar o medo para impedir o direito à manifestação e criminalizar a luta – todas as lutas.
Fica tudo claro na hiper-actividade da central de comando do Governo e dos serviços de informações, da CIA, da Mossad e etc.; fica evidente nos blogs dos seus anarco-provocadores de serviço; fica expresso no frenesim das suas antenas mediáticas, brandindo ameaças - terroristas, atentados, guerra química, vandalismo e violência urbana, e promessas de blindados e cargas policiais.
Não nos intimidam. A manifestação é um direito de Abril que se defende no seu exercício firme, combativo e pacífico. Paz sim, NATO não!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PCP apresentou propostas para o Orçamento de Estado 2011 - Distrito de Santarém


Foto Jornal "O Ribatejo"
O Orçamento do Estado para 2011 que o PS e o PSD aprovaram na generalidade e se preparam para aprovar na especialidade na Assembleia da República, já foi justamente apelidado de “orçamento dos banqueiros”. Trata-se de uma proposta orçamental que recessão económica e de retrocesso social que os banqueiros e os designados mercados financeiros querem impor ao nosso País e ao nosso Povo.
Este Orçamento do PS e do PSD vai conduzir inevitavelmente à recessão económica e ao aumento do desemprego e vai agravar de uma forma dramática as injustiças sociais. Vão ser reduzidos os salários dos trabalhadores da administração central, local e regional, dos médicos, enfermeiros, professores, magistrados, agentes de segurança, militares, considerados alvos prioritários de uma política injusta e cega de austeridade. Vão ser congeladas as reformas e as pensões. Vai ser drasticamente reduzida a atribuição de abono de família: Vão ser reduzidas as comparticipações nos medicamentos. Vão ser reduzidas prestações sociais como o subsídio de desemprego ou o complemento solidário para idosos. Vai aumentar a carga fiscal, designadamente no IRS e no IVA, sacrificando mais duramente aqueles que menos têm. Vão ser impostos cortes orçamentais de centenas de milhões de euros na saúde, na educação, na segurança social, nas transferências para as autarquias locais.
No que se refere ao investimento público, o PIDDAC vai sofrer um corte drástico. Em termos gerais, o PIDDAC para 2011 corresponde a cerca de 1/3 do PIDDAC para 2005 e regista um corte de cerca de 20% em relação a 2010.
O PIDDAC para o distrito de Santarém, fica-se pelos 4.746.008 euros, contra os 8.001.257 de 2010. Ou seja, cai quase para metade.
Conhecidas as carências existentes deste distrito, designadamente no plano da saúde, do ambiente, da segurança ou das acessibilidades, é certo que com este Orçamento, a resolução dos problemas mais prementes vai permanecer adiada e a situação vai inevitavelmente agravar-se.
O PCP, tal como em anos anteriores, apresentou um conjunto de propostas a incluir no PIDDAC, contemplando medidas de investimento público necessárias para resolver os problemas mais prementes com que se confrontam as populações do distrito de Santarém.
De entre essas propostas, destacamos:
Na área da Saúde, a inscrição em PIDDAC da construção de uma nova Unidade Hospitalar na zona sul do Distrito de Santarém; de Extensões de Saúde em Pedrógão (Torres Novas), na Asseiceira (Rio Maior) e em Pernes (Santarém); de novas instalações para o Centro de Saúde de Santarém; de terreno e projecto para novos Centros de Saúde em Abrantes e na Golegã; e de renovação de infraestruturas e equipamentos do Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere

Na área da segurança, a construção de instalações para a PSP no Entroncamento e para a GNR em Pernes, Marinhais, Alpiarça, Salvaterra de Magos e Coruche.
Na área da protecção civil, incluímos uma proposta para a ampliação do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Constância, Secção de Santa Margarida da Coutada.
Na área da Justiça, propomos a inscrição de uma verba para novas instalações do Tribunal de Alcanena.
Em matéria de acção social, propomos a construção de Lares de Idosos, Centros de Dia e Apoio Domiciliário na freguesia da Pedreira (Tomar) e da ARPE (Torres Novas); de Centros de Dia em Montalvo (Constância), em Vale da Pedra (Cartaxo) e no Couço (Coruche); de Lares de Idosos em S. José da Lamarosa (Coruche), do “Aconchego” – Centro de Apoio Social de Vale de Cavalos (Chamusca), em Benfica do Ribatejo (Associação de Solidariedade Social de Benfica do Ribatejo), do Centro de Bem Estar Social da Freguesia de Muge (Salvaterra de Magos), da Santa Casa da Misericórdia – Maxoqueira – Barrosa (Benavente); de creches em Benavente e da Fundação Padre Tobias em Porto Alto.

Em matéria ambiental, propomos a conservação ambiental e instalação de equipamentos de lazer na Serra de Alburitel (Ourém), em Dornes, Ferreira do Zêzere e na Igreja Nova do Sobral; a remodelação de infraestruturas das ETAR do Hospital Rainha Santa Isabel em Torres Novas e do Hospital de Nossa Senhora da Graça (Tomar); a conservação e protecção ambiental do polje de Minde; a conservação ambiental das ribeiras de Seiça e Caxarias (Ourém); a despoluição da Bacia do Alviela; a limpeza da Vala de Alpiarça e da Ribeira de Muge; a limpeza e desassoreamento da zona do Cais da Vala Nova (Benavente), do troço do Rio Sorraia – frente Ribeirinha de Benavente e do troço do Rio Almansor (Samora Correia); o Projecto Valada XXI – Requalificação de diques, arranjos paisagísticos, conservação ambiental e patrimonial.

Em matéria de desporto e lazer, propomos a inscrição de uma verba para um Pavilhão desportivo na freguesia de Santa Maria dos Olivais (Tomar) para a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais.

Na área da Cultura, propomos um reforço de verbas para o Museu Nacional Ferroviário do Entroncamento e a recuperação da Casa Alfredo Keil (Ferreira do Zêzere).

Em matéria de acessibilidades, propomos a inscrição em PIDDAC da Construção de passagem desnivelada da Estrada nacional 114-3 (Estação da Agolada – Coruche); da Travessia do Vale do Sorraia (Variante a Coruche - Troço comum ao IC10); da Ponte sobre a Ribeira do Divor, entre Couço e Santana do Mato (Coruche); da Nova Ponte sobre o Rio Sorraia entre Couço e Santa Justa, com ligação a Montargil/Coruche; do IC3 (Entroncamento/Golegã/Chamusca);        do IC9 (Abrantes/Ponte de Sor); da Variante à EN 365 (Ribeira de Santarém/Assacaias); da Circular Urbana de Benavente; de variante à EN 349, com ligação ao futuro IC9; de variante à EN3 (Cartaxo – Vale de Santarém); da beneficiação da EN 349 e da EN 110 (Ferreira do Zêzere); da reparação e manutenção da Ponte D. Amélia (Salvaterra/Cartaxo); e da subida da cota da EN 365 (Troço Golegã/Azinhaga).

Para finalizar, queremos destacar três propostas a que atribuímos particular importância:

A primeira diz respeito à Ponte sobre o Tejo em Constância. Considerando a extrema urgência da reabertura dessa via ao tráfego rodoviário, o PCP propõe a inscrição da verba de 1,5 milhões de euros necessária para a execução imediata das obras de reparação do tabuleiro rodoviário, de modo a assegurar quanto antes a abertura da ponte ao trânsito de viaturas ligeiras.

A segunda diz respeito à consolidação das encostas de Santarém. A concretização do Projecto Global de Consolidação das Encostas, já concluído, implica o recurso a fundos comunitários e um forte empenhamento da parte da Administração Central em coordenação com a autarquia. Assim, o PCP considera importante a inclusão em PIDDAC de uma verba que sinalize o início de uma obra indispensável e urgente, tendo designadamente em conta a necessária salvaguarda da segurança dos moradores e a preservação do património edificado.

A terceira diz respeito à Estação Ferroviária da Entroncamento, cuja remodelação e modernização se afigura urgente, incluindo a construção da passagem desnivelada da Linha da Beira Baixa.

São estas em síntese, as propostas que o PCP apresentou relativamente ao PIDDAC para o distrito de Santarém.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Lei do Financiamento dos Partidos

Injusta e antidemocrática
O PCP reagiu, no dia 30, à conclusão da apreciação na especialidade das alterações à Lei de Financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais, através de um comunicado do seu Gabinete de Imprensa, que transcrevemos na íntegra:
Terminou a apreciação na especialidade das alterações propostas à Lei de Financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais, um processo que nesta fase tem como principal novidade o facto do BE ultrapassar pela direita PS, PSD e CDS-PP na linha persecutória contra a Festa do Avante!.
A lei actual, fruto da convergência em 2003 de PSD, PS e CDS-PP aumentou brutalmente as subvenções públicas aos partidos, quer para o financiamento corrente, quer para o eleitoral e consagrou regras absurdas e antidemocráticas visando no fundamental o PCP, as suas características e actividade, com particular destaque para a Festa do Avante!. Desde então o PCP não deixou de combater esta injusta legislação e de exigir a sua revogação e a alteração das suas gravosas disposições, que se revelaram totalmente contrárias à liberdade de associação partidária e à liberdade de iniciativa política dos partidos e, em concreto, do PCP.
A revogação das regras mais gravosas constitui um imperativo democrático. Tendo-se alcançado na legislatura anterior um consenso para alterar alguns dos seus aspectos mais negativos que, não constituindo para o PCP uma resolução da injustiça criada por esta legislação, consagraram um avanço que o Presidente da República impediu vetando essa lei.
O actual processo legislativo mereceu por parte do PCP a apresentação de propostas em dois sentidos fundamentais: por um lado fazer regressar os montantes de subvenções públicas e os limites de despesas eleitorais para os limites da lei anterior à de 2003, reindexando ainda as verbas para os grupos parlamentares ao IAS, em vez de ao Salário Mínimo Nacional; por outro lado introduzir, mesmo que de forma limitada, alguma correcção às normas mais gravosas da lei em vigor. O projecto do PCP era aliás o único que cortava nas subvenções anuais, para além das eleitorais.
No que diz respeito aos cortes nas subvenções públicas, a proposta do PCP implicava uma redução de 6 800 000€ (seis milhões e oitocentos mil euros) por ano nas subvenções anuais e cerca de 11 000 000 euros (onze milhões de euros) num ciclo eleitoral (excluindo ainda as eleições autárquicas), para além de uma redução de quase 500 mil euros nas subvenções dos grupos parlamentares.
As propostas agora aprovadas ficaram-se pelos 10 por cento das subvenções anuais e das eleitorais, no valor respectivamente de 1 700 000 euros (um milhão e setecentos mil euros) e 2 044 000 (dois milhões e quarenta e quatro mil euros), ainda sem considerar as eleições autárquicas, muito abaixo do que o PCP propunha e sempre defendeu.

Lei visa o PCP e a Festa do Avante!

Num momento em que PS e PSD querem impor aos portugueses brutais penalizações dos salários, das reformas e prestações sociais, estes cortes - ainda por cima transitórios, vigorando apenas até 2013 – são escandalosamente baixos.
Mas este processo esteve também à beira do consenso com uma ligeira melhoria, ainda que insuficiente, nos limites impostos às receitas das iniciativas de angariação de fundos, ou seja na possibilidade de alargar a capacidade de financiamento próprio dos Partidos.
O consenso à volta destas matérias foi inviabilizado pela rejeição destas alterações pelo BE, numa atitude que só podendo ser vista como dirigida contra o PCP o coloca na deplorável e esclarecedora posição de se substituir ao PS, PSD e CDS na cruzada contra a Festa do Avante!.
Na verdade, o BE, tal como o PS, o PSD e o CDS, vivem, no fundamental, à conta dos dinheiros públicos. Estes partidos que em grande medida prescindem de iniciativas próprias para o seu financiamento querem impedir que outros as tenham. Não é por acaso que ao contrário do que o PCP propôs, o BE, na sua proposta de alteração à lei de financiamento, não propôs o corte na subvenção permanente dos partidos.
O PCP não aceita que, a pretexto da «transparência das contas», o BE e os outros partidos se assumam como instrumento para pôr em causa direitos políticos essenciais e o próprio rigor e transparência das contas.
O PCP não aceita que se excluam mais de um milhão de portugueses – pelo facto de não terem conta bancária – dos seus direitos políticos, ficando assim impedidos de serem membros de um Partido ou de cumprirem os compromissos com o seu Partido por não poderem pagar a sua quota.
O PCP não aceita que se perpetue uma lei que impede quem, como o PCP, opte por garantir a sua independência financeira com base na contribuição militante, de iniciativas políticas e do apoio dos trabalhadores e do povo.
O PCP não aceita que, por taticismo político, se mantenham regras que se sabem serem injustas, antidemocráticas e que visam directamente o PCP e a Festa do Avante!. Foi isso que aconteceu neste processo, por responsabilidade do PS, do PSD, do CDS e agora também do BE.
O PCP, ao mesmo tempo que não prescindirá da sua liberdade de iniciativa e acção política – incluindo a realização da Festa do Avante! – não deixará de lutar pela alteração destas normas, defendendo a transparência, a liberdade e a democracia, inserindo-a na luta mais geral contra a política de direita, por uma ruptura e uma mudança na vida nacional.

Intervenção de Jerónimo de Sousa Apresentação Pública do Tomo III das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal

Na foto, Álvaro Cunhal em Alpiarça - anos setenta

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cavaco revelou-se candidato

Jorge Cordeiro
O leme e o naufrágio
Cavaco Silva revelou-se candidato. Nada que a bem sucedida intervenção eleitoral que vinha construindo a partir das suas funções presidenciais não deixasse prever. O que estaria mais arredado de algumas mais ingénuas previsões seria a forma e os conteúdos expressos. Desde logo, temos de regresso o homem do leme, aquela providencial figura sem a qual o país não sobreviveria, nem o sol nasceria. Na modéstia majestática do candidato temos ali sinónimo de «mais»: o mais experiente, o mais formado, o mais influente, o mais capaz de tudo incluindo da proeza de Portugal não estar pior. O que em si legitima a interrogação de saber se quem lhe escreveu o texto está por cá. Descontado que seja o pormenor de não se perceber onde é que a sua formação económica entra em consideração perante o naufrágio económico do país; de procurar saber onde, para lá dos principais círculos do capital financeiro e dos grupos económicos, se fez sentir a sua magistratura de influência; de se tentar perceber porque é invocável como boa, uma experiência feita de um percurso demolidor para o país em mais de uma década de funções governativas que não só deram à luz nutrido défice como comprometeram o desenvolvimento – admitamos que o que resta, descontos feitos, é pouco para tanta pretensão.
Ousado no conteúdo, a forma não o inveja. O enquadramento temporal do anúncio; a gestão da encenada negociação entre governo e PSD e respectiva concretização; e a laboriosa construção, a pretexto da eminência de uma «crise política», do papel de salvador – são apenas episódios em torno da divulgação de uma candidatura há muito conhecida. E que terá tido na convocação do Conselho de Estado, na inédita comunicação pessoal que dirigiu e na cirúrgica divulgação do não menos previsível acordo entre Catroga e Teixeira dos Santos, a primeira grande iniciativa da sua campanha eleitoral.
O que para lá de tudo o resto, permitirá mais facilmente levar cada um a perceber porque Cavaco Silva apregoou a dispensa nesta campanha eleitoral de «Out-door's»!

Jerónimo de Sousa em Alpiarça

Jerónimo de Sousa, Secretário - Geral do PCP, vai deslocar-se a Alpiarça no dia 7 de Dezembro para participar num jantar - convívio  organizado pela Concelhia do PCP.
Este jantar Realiza-se na Quinta de S. José

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A história, elucidativa da sobre-exploração

Os negreiros
Anteontem, 2 de Novembro, o dia noticioso ficou marcado pelo «debate» do Orçamento do Estado previamente acordado dias antes nas suas linhas mestras entre PS e PSD, após semanas de autêntico terrorismo mediático. Nesse mesmo dia o Público abria as suas páginas de economia com uma notícia sobre a PSA Peugeot-Citröen, de Mangualde, reveladora de outro terrorismo que raramente chega às manchetes.
A história, elucidativa da sobre-exploração que grada em Portugal, conta-se em poucas palavras. Depois de ter liquidado, em 2009, cerca de 600 postos de trabalho e de ter abolido o turno da noite, a empresa voltou a reactivar a chamada terceira equipa, desta feita com 300 trabalhadores. Destes, cerca de um terço faz parte do lote dos despedidos no ano passado – «trabalhadores especializados, que tinham um vínculo com a empresa, com vencimentos entre os 700 e os 800 euros», como diz o presidente da Comissão de Trabalhadores, Jorge Abreu –, que «agora regressam a ganhar metade» e apenas por um período de seis meses. O vencimento base oferecido aos contratados, refere o responsável da CT, é de 440 euros, a que acresce 25 por cento de subsídio de turno; feitos os descontos, «muitos não chegam a levar o ordenado mínimo para casa».
A notícia do Público esclarece ainda que numa primeira fase estes trabalhadores foram contratados através de uma agência de trabalho temporário, mas como nestas circunstâncias não podiam ser abrangidos pela «bolsa de horas», destinada apenas a funcionários da empresa, aPeugeot-Citröen acabou por fazer contratos directos com eles.
Esta história, sendo esclarecedora do ressurgimento dos negreiros no século XXI, está no entanto incompleta. Para se ter a dimensão da sua barbárie importa lembrar que a «bolsa de horas» (imposta ilegalmente ainda antes da entrada em vigor do Código de Trabalho com base num «acordo de traição feito com a anterior comissão de trabalhadores) obriga os trabalhadores a compensar, em períodos de maior fluxo de encomendas e sem quaisquer compensações, o tempo de paragem provocado pela suspensão forçada da produção. Importa também lembrar que esta empresa é uma das muitas apoiadas pelo Governo PS: em 2007 recebeu 8,6 milhões de euros para manter 1400 postos de trabalho até 2013 (o que não cumpriu), e no ano passado terá recebido mais 21 milhões de euros. O caso motivou requerimentos do Grupo Parlamentar do PCP na Assembleia da República, pedindo explicações ao Ministério da Economia e exigindo a intervenção da ministra do Trabalho, mas o regabofe continuou. Importa ainda lembrar que a célula do PCP naCitröen há muito denuncia a situação, como sucedeu no final de Julho último, quando sublinhou o carácter «demagógico, mentiroso e populista» do anúncio da criação destes «novos» 300 postos de trabalho com que o PS e a administração daCitröen se congratularam, procurando «apagar» o despedimento colectivo do ano passado.
Quem a 600 despedidos soma 300 contratados quantos postos de trabalho cria? Esta a pergunta que fazem os comunistas, que não se cansam de denunciar – com ou sem OE – o esbulho dos trabalhadores em benefício do capital com a conivência e o aplauso do PS.

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço!


É bonito de se ver o interesse que os vereadores da oposição em Alpiarça, demonstram sobre assuntos como o parque de campismo, a reserva do cavalo do Sorraia e as obras na escola sede do agrupamento. É de facto impressionante, tendo em conta o n.º de vezes que colocam questões sobre estes assuntos nas reuniões de câmara. Chego mesmo a pensar que devem achar que são assuntos fundamentais para a nossa terra. Pessoalmente não sei se são prioritários, mas que são importantes, lá isso são.

O que me está a fazer alguma confusão, é a razão pela qual o Sr. Vereador Luís Garrotes, agora na oposição, mas há um ano atrás no poder, não considerou essencial na altura em que tinha o poder de decisão. Ou querem convencer alguém de que o problema do parque de campismo e da reserva do cavalo do Sorraia é de agora? Quando mandavam nada fizeram, agora na oposição tudo exigem.

Já para não falar das escolas. Os mesmos vereadores que agora estão tão preocupados com as obras na escola sede, na altura em que eles próprios podiam ter acautelado essa situação não o fizeram. A cegueira com a pretensão de controlar a escola era de tal forma doentia, que era urgente assinar o protocolo de transferência de competências para as Autarquias sem se preocuparem com o essencial.

Mas compreendo porque fazem todas estas exigências agora. Porque reconhecem que ao contrário do Partido Socialista, a CDU tem a competência e honestidade necessárias, para fazer um bom trabalho à frente dos destinos de Alpiarça.


domingo, 7 de novembro de 2010

Na visita de Barack Obama à Índia

Comunistas marcam protesto
Aproveitando a visita de três dias do presidente dos EUA à Índia, os partidos comunistas e de esquerda do país convocaram, para o próximo dia 8, uma jornada nacional de protesto.
«Os EUA, como parte dos seus desígnios hegemónicos globais, pretendem impor políticas lesivas da soberania nacional e dos interesses dos povos de muitos países», diz o manifesto subscrito por quatro formações políticas, entre as quais o PCI e o PCI(m).
No texto, exige-se justiça para as vítimas do incidente da Bhopal Gas, em 1983, nomeadamente através do pagamento de indemnizações por parte da Dow Chemicals, e a extradição de Warren Anderson a fim de ser julgado pelos tribunais indianos; o fim das pressões da administração norte-americana sobre a política externa indiana e pela liberalização da agricultura, educação e outros serviços públicos apetecíveis para o capital internacional; a revogação do acordo de defesa indo-norte-americano, que converte a Índia num aliado militar dos EUA; a retirada imediata das forças ocupantes no Iraque e Afeganistão e o estabelecimento de um acordo político neste último território; o fim do embargo norte-americano a Cuba e da assistência militar a Israel até que este retire dos territórios ocupados aos palestinianos e países árabes limítrofes.

sábado, 6 de novembro de 2010

O Portugal de Abril não é de Cavaco

Filipe Diniz
O partido de Cavaco
Cavaco anunciou aquilo que há longo tempo era sabido: que se iria recandidatar à presidência da República. Diz ele que após profunda reflexão, na companhia da esposa.
Nem nisto este «homem de palavra» acerta. Não se lembra pelos vistos de que quando se candidatou há cinco anos, entre as suas «ambições» - se fosse eleito - figurava «exercer mais do que um mandato». Mas esta questão não passa de um detalhe no conjunto da declaração de candidatura que apresentou.
Mesmo para todos nós que sabemos que não é pelo brilho intelectual que Cavaco se destaca esta declaração tem momentos particularmente penosos. Nuns casos, pela grosseira hipocrisia. Noutros, porque trazem à memória outro ocupante do palácio de Belém, um almirante cujas declarações caricatas constituíam saborosos momentos de humor involuntário.
Um dos momentos altos, que Tomás não desdenharia, é a afirmação de que não tem partido: o «seu partido é Portugal».
Cavaco sabe - porque também o fez - que tomar partido é escolher. E sabe que nem do ponto de vista social, nem económico, nem regional há só um Portugal. Não só há vários, como alguns deles são antagónicos. Alguns representam, inclusivamente, a longa linha antinacional na qual as classes dominantes sempre se inseriram, e são esses, no fundamental, o Portugal que Cavaco escolheu.
O Portugal de Cavaco primeiro-ministro e de Cavaco presidente: o Portugal do retrocesso económico e social, no «pelotão da frente» a caminho da retaguarda; o Portugal dos «pacotes legislativos» anti-laborais e anti-sociais; o Portugal da desindustrialização e da financeirização da economia; o Portugal «bom aluno» da UE, abdicando aceleradamente da soberania e do interesse nacional, cada vez mais dependente e periférico; o Portugal do interior sem agricultura e do mar sem frota pesqueira; o Portugal inculto e reaccionário que hostilizou Saramago em vida e o desrespeitou na morte.
Há outro Portugal que não é nem será nunca o Portugal de Cavaco.
É o Portugal de Abril, cuja Constituição Cavaco jurou cumprir e fazer cumprir mas que sempre violou – tanto no governo como na presidência.
Este Portugal está presente e tem candidato nas eleições presidenciais.
Chama-se Francisco Lopes.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

 Apresentação pública do 3º volume das obras escolhidas de Álvaro Cunhal.
Quarta Feira, 10 de Novembro, a partir das 18 horas, No teatro São Luís, em Lisboa.

Alpiarça assinala 81.º aniversário da morte de José Relvas


Assinalando o 81.º aniversário da morte de José Relvas, o Município de Alpiarça e a Associação de Amigos da Casa Museu dos Patudos levaram a efeito no dia 31 de Outubro uma romagem ao jazigo desta figura ímpar da revolução republicana. O acto contou com as presenças dos Presidentes da Assembleia Municipal, da Junta de Freguesia de Alpiarça, outros autarcas e entidades públicas.
Intervieram o  Presidente da Associação de Amigos da Casa Museu dos Patudos e o  Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça fazendo alusão à figura de José Relvas e à sua importância na instituição do regime republicano em Portugal.

“REPÚBLICA: ACÇÃO E REVOLUÇÃO”

“REPÚBLICA: ACÇÃO E REVOLUÇÃO”
Teatro de Rua em Alpiarça

Integrado nas Comemorações do Centenário da República e assinalando o 81.º aniversário da morte de José Relvas, decorreu no dia 31 de Outubro à noite um espectáculo de teatro de rua evocativo da implantação da República (que, devido ao mau tempo, se realizou no pavilhão desportivo do Clube Desportivo “Os Águias”) com a participação do grupo GTEATRO, de alunos do Agrupamento de Escolas de José Relvas, e da Banda da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1.º de Dezembro.
Esta peça de teatro procurou reconstituir alguns dos principais acontecimentos de euforia e de ansiedade então vividos, e rememorar as degradantes condições de vida do povo, e os graves problemas do País. A implantação da República veio dar luz a um novo regime que pudesse corresponder às esperanças e aspirações do Povo – um novo regime baseado na virtude dos seus dirigentes, na Liberdade e no Progresso

Mário Soares

José Casanova
O pai da política de direita
«Nunca tive dúvidas de que o Orçamento de Estado passaria», confessou Mário Soares.
E explicou porquê: porque se trata de uma «imposição do Banco Central Europeu e da própria Comissão Europeia» - e ordens são para cumprir...
Soares pensa, também, que a ida «dos dois líderes a Bruxelas», para o necessário puxão de orelhas, foi decisiva para pôr as coisas nos eixos.
Soares pensa, ainda, que sem o OE aprovado estaríamos perante «um desastre nacional»
É certo que, o próprio Soares o diz, o Orçamento é «muito duro para os portugueses, em especial os de menores rendimentos»; e que «algumas das suas medidas cortam o coração»; e que isto vai ser uma desgraça ainda maior do que a já existente, mas... sem OE aprovado, estaríamos perante «um desastre nacional»... e isso é coisa que Soares não quer nem admite.
Reconheça-se, aliás, que desastre nacional é matéria em que Soares é perito...
Vale a pena lembrar – quanto mais não seja para que não caia no esquecimento – que Soares é um dos grandes responsáveis pelo desastre nacional a que a política de direita conduziu o País. Foi ele que a iniciou em 1976, dando os primeiros passos da ofensiva contra-revolucionária que, de então para cá, todos os governos prosseguiram, com raivosos ataques às conquistas da Revolução de Abril; chamando para aqui o FMI (e correndo de cá com o MFA...), e enfiando a cabeça no cepo da UE; roubando aos trabalhadores e ao povo direitos fundamentais alcançados pela luta e consagrados nas leis de Abril; recorrendo á repressão brutal sobre as massas trabalhadoras; tirando o poder ao povo e colocando-o nas garras dos grandes grupos económicos e financeiros (quer dos que haviam sido sustentáculo do fascismo quer dos que a política de recuperação capitalista viria a criar); fazendo a vida num inferno aos trabalhadores e oferendo o paraíso ao grande capital; rasgando e espezinhando a Lei Fundamental do País e entregando a soberania e a independência nacional ao imperialismo norte-americano e à sua sucursal que dá pelo nome de União Europeia.
Ora este OE 2011 é bem o espelho dessa política de desastre nacional de que Soares é o pai.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Candidatura pronta para a luta

Jerónimo de Sousa no Comício da Voz do Operário

A candidatura de Francisco Lopes à presidência articula-se com a luta de massas contra a política de direita, agravada pelo Governo em conluio com o PSD e com o estímulo de Cavaco Silva.
O reforço da intervenção da candidatura «que não desiste de Portugal», que confiante no colectivo de comunistas e democratas, se coloca, sem ambiguidades, ao lado dos trabalhadores defendendo uma política patriótica e de esquerda, é fundamental para enfrentar os duros combates que se avizinham, abrindo caminho para as necessárias ruptura e mudança que invertam o rumo de declínio nacional, expressou o secretário-geral do PCP na intervenção de encerramento do comício da Voz do Operário.
«O voto em Francisco Lopes nunca será um voto perdido ou traído!»

PAZ SIM nato não

Pedro Guerreiro
Não é coincidência, são os mesmos...
Nas próximas semanas seremos seguramente confrontados com uma intensa campanha de mistificação e de desinformação a propósito da Cimeira da NATO, que se realiza dias 19 e 20 de Novembro, em Lisboa.
Para compreender o real significado e alcance dos objectivos apontados para esta Cimeira é fundamental ter presente o momento em que esta tem lugar.
Um momento caracterizado pela deterioração da situação económica dos EUA e de outras potências capitalistas, suas aliadas na NATO, enquanto novos países se afirmam e reforçam a sua posição nas relações económicas ao nível mundial (como a China), uma rearrumação de forças com o consequente reanimar das contradições inter-capitalistas.
Um momento em que o capitalismo incrementa medidas (desemprego e cortes nos salários, pensões, prestações sociais e serviços públicos, como a saúde e a educação) com brutais consequências sociais, que visam salvaguardar e fomentar os fabulosos lucros e a insaciável gula do capital financeiro, à custa do aumento da exploração dos trabalhadores que, em situações muito diversas, resistem e procuram criar as condições para alterar a correlação de forças que ainda lhes é desfavorável.
Um momento em que os povos vítimas da agressão imperialista continuam a luta pela emancipação nacional – como na Palestina, no Afeganistão ou no Iraque – e em que na América Latina, nas ruas ou nas urnas, são derrotadas tentativas de interrupção de processos de afirmação de soberania e desenvolvimento nacional.

É neste quadro que o imperialismo, liderado pelos EUA – que tenta contrariar o seu declínio como potência dominante –, procura relançar a sua violenta ofensiva, alicerçada no seu poder militar (cerca de metade das despesas militares do mundo) e amplos meios ideológicos, com que visa oprimir e desarmar a legítima luta daqueles que lhe resistem.
Na Cimeira que se realiza em Lisboa, a NATO pretende dar um salto qualitativo na militarização das relações internacionais e na corrida aos armamentos, apontando o mundo como sua área de intervenção, a partir de, praticamente, todo e qualquer pretexto. A NATO visa instrumentalizar a ONU, arrastando e servindo-se de todos os «parceiros» que anuírem com a sua lógica de ingerência e guerra. A NATO é um instrumento de guerra do imperialismo.
Não é coincidência, a ofensiva contra os trabalhadores vai a par da ofensiva contra a soberania dos povos.

A Cimeira da NATO evidenciará (bastará olhar para as fotografias) que os responsáveis pela agudização da situação económica e social são os mesmos que promovem a corrida aos armamentos, a militarização das relações internacionais e a guerra – esta é uma tomada de consciência fundamental para todos aqueles que aspiram e lutam pelo progresso e a transformação social.
Como a história demonstra, a luta pela paz é indissociável da luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores, pelos seus direitos e conquistas, pela soberania e independência nacional. A luta dos trabalhadores e do povo português é disso exemplo.
A defesa da paz, a luta contra o militarismo e a guerra, é parte integrante e condição necessária para assegurar o desenvolvimento económico, o progresso social e a soberania de um povo.
Daí a importância da participação nas iniciativas de esclarecimento e na manifestação que a Campanha «Paz sim! NATO não!» promove e organiza no dia 20 de Novembro, pelas 15h00, do Marquês de Pombal à Praça dos Restauradores, em Lisboa. Por Abril, pela Paz, reafirmemos: não à NATO!

“REPÚBLICA: ACÇÃO E REVOLUÇÃO”

Integrado nas Comemorações do Centenário da República e assinalando o 81.º aniversário da morte de José Relvas, decorreu no dia 31 de Outubro à noite um espectáculo de teatro de rua evocativo da implantação da República (que, devido ao mau tempo, se realizou no pavilhão desportivo do Clube Desportivo “Os Águias”) com a participação do grupo GTEATRO, de alunos do Agrupamento de Escolas de José Relvas, e da Banda da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1.º de Dezembro.


Esta peça de teatro procurou reconstituir alguns dos principais acontecimentos de euforia e de ansiedade então vividos, e rememorar as degradantes condições de vida do povo, e os graves problemas do País. A implantação da República veio dar luz a um novo regime que pudesse corresponder às esperanças e aspirações do Povo – um novo regime baseado na virtude dos seus dirigentes, na Liberdade e no Progresso.

Alpiarça assinala 81.º aniversário da morte de José Relvas

Assinalando o 81.º aniversário da morte de José Relvas, o Município de Alpiarça e a Associação de Amigos da Casa Museu dos Patudos levaram a efeito no dia 31 de Outubro uma romagem ao jazigo desta figura ímpar da revolução republicana. O acto contou com a presença dos Presidentes da Câmara Municipal, Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia de Alpiarça, outros autarcas e entidades públicas.


Intervieram o Presidente da Associação de Amigos da Casa Museu dos Patudos e o Presidente da Câmara Municipal de Alpiarça fazendo alusão à figura de José Relvas e à sua importância na instituição do regime republicano em Portugal.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Uma mulher na presidência


http://www.youtube.com/watch?v=sBNAiRpTeV4&feature=player_embedded

Sindicalismo na Revolução de Abril. Um livro que se recomenda!


Chama-se Sindicalismo na Revolução de Abril. Foi publicado recentemente pelas Edições Avante! O seu autor é Américo Nunes.
Trata forma simples o papel do Movimento Sindical na Revolução de 25 de Abril de 1974.
É um material de grande interesse para se perceber a história recente do Movimento Sindical Unitário no nosso país.
Nele se fala da Revolução e da contra-revolução, da luta pela unidade sindical e das golpadas para o dividir, da construção de novas estruturas sindicais, como foi o caso dos Sindicatos do Operários Agrícolas.
Nele se fala de Homens de Alpiarça, como o Manuel Garriapa e o António Calarrão.
Vale a pena ler tudo.
Entretanto, aqui fica um pequeno excerto:

No dia 19 de Junho de 1974 é assinada em Beja pela comissão pró-sindicato deste distrito a primeira convenção colectiva de trabalho para os operários agrícolas depois do 25 de Abril. De âmbito concelhio, com vigência até 30 de Setembro de 1974, consagrava as três principais reivindicações dos trabalhadores: Aumentos salariais, fixação das oito horas de trabalho diário, pago a dobrar aos sábados e domingos, trabalho assegurado a todos os homens e todas as mulheres cabeças de casal durante todo o período de vigência da convenção e metade do período aos restantes trabalhadores desempregados. Idênticas convenções foram depois assinadas em 10 dos 14 concelhos do distrito.
A propósito da luta que levou a estes resultados, merece a pena ler a evocação de Álvaro Cunhal sobre um episódio passado em pleno Conselho de Ministros do I Governo Provisório, e que retrata bem a turbulência e instabilidade do poder, às vezes com um toque de burlesco, nestes tempos de revolução: “Spínola continuou a tentar impor-se como se tivesse plenos poderes. “Difícil é acreditar na fora como tratava o Governo. Dava ordens ao primeiro-ministro como se este fosse um soldado. Tinha uma linha telefónica directa e, em pleno Conselho de Ministros, chegavam ordens do Presidente da JSN. E que ordens!
“Vale a pena testemunhar com um exemplo:
“ O primeiro-ministro atende o telefone. Alarmado, informa o CM que o Presidente acaba de comunicar-lhe que é necessário tomar medidas imediatas contra dois perigosos agitadores que estão a perturbar a ordem pública no Alentejo. A ordem é específica. Os nomes dos agitadores são citados: José Soeiro e Júlio Martins.”
Álvaro Cunhal, presente como ministro sem pasta, lá explica que não se trata de perigosos agitadores mas de dois destacados militantes do PCP que actuam em defesa da liberdade e da democracia contra as provocações dos latifundiários.
E conclui, na sua evocação deste episódio: “ Não são tomadas as medidas repressivas reclamadas, mas Palma Carlos, sujeito à pressão brutal de Spínola, perde a compostura e a medida das coisas e, como de outras vezes, grita (isto em pleno Conselho de Ministros) que “não quer ser fuzilado” por não conseguir impor as ordens do Presidente.”
Foi no distrito de Beja que se formou o primeiro sindicato agrícola distrital, cujo primeiro presidente foi José Soeiro, quadro jovem e combativo que mais tarde viria a ser membro da Comissão Política do PCP e deputado à Assembleia da República.
Em 2 de Junho, por iniciativa do PCP, tinham-se reunido trabalhadores agrícolas de diversos concelhos do distrito no Centro de Trabalho do PCP em Beja, onde discutiram a organização do sindicato e decidiram em cada terra reuniões de trabalhadores para constituírem comissões pró-sindicato.
Dia 16 em nova reunião, já estiveram representantes de 28 terras do distrito. De entre eles foi eleito um secretariado pró-sindicato para dinamizar a acção noutras terras, constituído por José Soeiro, Manuel Godinho e Francisco Batista.
Processo idêntico se seguiu nos outros distritos do Alentejo e do Ribatejo, com o empenho de uma plêiade de militantes experimentados do PCP, de antes do 25 de Abril, em que se salientaram, entre outros, o Manuel Vicente, o António Ramos, o António Calarrão e o Manuel Garriapa Domingues.

Em Agosto participa pela primeira vez num plenário da Intersindical um sindicato agrícola, o de Santarém. Todos se filiaram a breve trecho na central sindical.
Foi o Manuel Garriapa a quem ouvi uma história que ilustra como preconceitos ancestrais contribuem para a discriminação laboral das mulheres no trabalho. Contou-me ele:
“Na raspa da vinha, em Santarém, as mulheres ganhavam pouco mais de metade que o salário dos homens, e era evidente que elas trabalhavam tanto e tão bem como os homens. Daí que nos lembrássemos de reivindicar o mesmo salário pelo mesmo trabalho para elas. Foi o cabo dos trabalhos! Eles não queriam que as mulheres, muitas delas as própria esposas, fossem mais aumentadas do que eles, e passassem a ganhar o mesmo. Diziam coisas do género”então eu estou lá para chagar a casa e encontrar lá uma mulher que ganha tanto como eu? Não estou para me sujeitar a tal vergonha.”
O Garriapa todavia não desistiu. Um dia, foi com um rancho para o trabalho, convenceu-os a formarem grupos de homens e mulheres em número igual, dividiu a vinha em leiras iguais, e convenceu-os a trabalharem normalmente durante um dia. Conclusão: Ao fim do dia, as mulheres tinham trabalhado um bocado de terreno maior que o dos homens. O Garriapa atribuía o feito ao facto de os homens pararem para fumar e para beberem uns tragos do garrafão de vinho que o patrão lhes fornecia todos os dias. A custo lá os convenceu a aceitar o princípio de trabalho igual, salário igual.
Estes homens lideraram a construção colectiva dos seus sindicatos, e ali levaram a cabo um trabalho extraordinário que a partir do final de 1974, e durante os anos de 1975 e seguintes, se traduziu também na direcção da luta de massas que impôs a liquidação dos latifúndios e a Reforma Agrária nos campos do Alentejo e do Ribatejo.
…/…
Do tempo dos fortes e revolucionários sindicatos agrícolas do Alentejo e do Ribatejo perduram no entanto direitos fundamentais como o direito à contratação colectiva e o direito ao regime geral da segurança social.
Perdura sobretudo a conquista da cidadania dos trabalhadores agrícolas que o regime fascista sempre lhes havia sonegado.

Salada russa



Francisco Lopes apela à participação na greve geral de 24 de Novembro (Jornal Público)

E o que diz Manuel Alegre sobre a greve geral?


Não tenho que apoiar ou não apoiar. Eu sou um candidato à Presidência da República, que está nestas eleições com um sentido de responsabilidade. “

Entretanto ficamos à espera que o BE, ou pelo menos algum dos seus dirigentes – José Manuel Pureza, Mariana Aiveca e Helena Pinto – que integram a Comissão Política da candidatura de Alegre, digam o que pensam das declarações do “seu” candidato presidencial sobre a greve geral…

Aguardamos ainda com grande expectativa os comícios da campanha. Já imaginaram o que será termos num mesmo comício discursos de M. Alegre José Sócrates e …Francisco Louçã?

A “esquerda moderna” tem destas coisas…

a dúvida ou sem dúvida?

A dúvida
Foi num desses debates multivozes em que todos os participantes recomendam expressa ou implicitamente a demissão de Sócrates, não para que sejam adoptadas opções políticas radicalmente diferentes das suas, mas sim pela razão suprema de que têm para colocar no seu lugar um outro Sócrates que difere do actual no nome, na idade, nos supostos sábios que o apadrinham, na corte que o rodeia, nos boys que impacientes esperam o momento em que substituirão os boys que ocupam actualmente umas dezenas, talvez centenas, de cobiçados lugares. Foi, pois, num desses debates onde, como se sabe, é muito reservado o direito de admissão: indivíduo suspeito de se situar na área do PCP ou seus arredores não pode ali entrar. E sabe-se porquê: é que o projecto comunista foi uma ilusão que se desfez há mais de vinte anos, como se prova pela série «Comunismo – História de uma Ilusão», transmitida e repetida pela RTP2 e, pelo menos na passada segunda-feira, em dois horários num só dia. O que, segundo as mesmas fontes, não é ilusão nenhuma, é que a chamada Economia de Mercado, pseudónimo manso do neoliberalismo actual, regula por si própria todos os eventuais desequilíbrios, é verdadeiramente um descanso. Ou sê-lo-á quando alguns acabamentos completarem a sua instalação entre nós: maior flexibilização da legislação laboral para que os despedimentos sejam mais fáceis, extinção ou pelo menos redução a valores simbólicos dos exorbitantes «benefícios sociais» impostos pelos excessos imediatamente posteriores a Abril, coisas assim. É certo que Sócrates fez muitas coisas relevantes nestas matérias, mas é preciso que o novo Sócrates avance e faça ainda mais. E quando a obra estiver completada verificar-se-á que o neoliberalismo não é nenhuma ilusão, ao contrário do comunismo. Que, pelo contrário, será uma realidade muito concreta, muito assente num pragmatismo talvez sem princípios mas com excelentes fins. Ora, sendo assim, não faria sentido nenhum convidar para debates na televisão quem tem sobre o futuro a construir ideias obsoletas, quem insiste em contrariar e mesmo desmentir o que os senhores doutores pregam e explicam numa impressionante convergência de opiniões, quem não reconhece que a defesa dos direitos dos trabalhadores e da arraia-miúda em geral passou de moda e aliás é insustentável. Até porque a União Europeia não foi construída para isso e Bruxelas, vigilante, não deixa.

Imprecisão e coisas sérias

Foi precisamente num desses debates frequentados por gente cuidadosamente seleccionada que ouvi, mais uma vez, um participante decerto competentíssimo informar-nos de que o regime está em vias de se desagregar. Lamentavelmente, não anotei o nome do informador, sei apenas que não era dos mais assíduos nos estúdios das diversas estações, mas a minha falta não será grave porque um dia destes ele volta ou, se não exactamente ele, um seu semelhante que nos dirá o mesmo. E é fácil esta minha previsão: é que por mais de uma vez, e não apenas nos dias mais recentes, venho ouvindo pelas mesmas palavras ou por outras delas muito próximas a opinião de que este regime já não serve. Ora, tudo estaria bem se me fosse dado perceber de que regime é que os diversos opinantes estão a falar. Será do regime republicano de que se celebra agora os cem anos a que aliás será adequado subtrair quarenta e oito? Será do regime democrático actual, ainda incompleto em muitas vertentes, visivelmente mais democrático para uns que para outros? O caso é que a anunciada condenação do «regime» sem que se precise do que se está a falar gera uma dúvida pelo menos incómoda, se não inquietante. Se se trata de um projecto ainda que impreciso para acentuar a democraticidade do nosso quotidiano em todas as suas áreas, para promover finalmente uma justa redistribuição da muita ou pouca riqueza produzida e também dos esforços para essa produção, tudo bem. Mas se o projecto, caso exista para lá de uma previsão meramente retórica, tem um sentido diferente? Se visa a instalação do que por vezes se designa por «democracia musculada»? Dir-se-á talvez que essa é uma eventualidade improvável. Direi eu que as eventualidades improváveis também por vezes acabam por acontecer, e esta é uma que não me apetece nada. Por isso ouço na TV a quase profecia da «desagregação do regime» e fico perante ela, encalhado, a perguntar-me o que quer aquilo dizer. A desejar uma clarificação e a sentir que tenho direito a ela. Porque com coisas sérias não se brinca. Nem mesmo se brinca aos profetas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pão e brioches

Reza a história que, pouco antes da grande Revolução Francesa de 1789, quando a rainha Maria Antonieta foi informada de que o povo faminto de Paris se manifestava nas ruas pedindo pão, terá respondido: «se não têm pão, comam brioches». O espírito de Maria Antonieta está de volta, nos salões do grande capital e dos governos ao seu serviço.

Nos mesmos dias em que o governo Sócrates anunciava a sua mais recente marretada na cabeça do povo português – para «acalmar os mercados» que estavam «preocupados» com o défice orçamental nacional – o governo irlandês anunciou o aumento em cerca de 6 mil milhões de euros nos subsídios de apoio aos falidos bancos irlandeses (Irish Times, 30.9.10). Como resultado, o défice orçamental irlandês será, este ano, «uns estonteantes 32% da produção económica [PIB], o valor mais alto da Europa após a II Guerra Mundial» (Associated Press, 1.10.10). Os bancos irlandeses estão a ser premiados por se terem «endividado fortemente junto de credores estrangeiros e investido o dinheiro no sobreaquecido mercado imobiliário irlandês – e depois procurarem esconder a verdadeira dimensão dos estragos quando a crise global no crédito fez rebentar a bolha imobiliária» (AP, 1.10.10). Como reagiram os «mercados» e seus serventuários ao anúncio do monumental buraco orçamental resultante da falcatrua, num país cujo PIB caiu 10% em 2009 e cujo desemprego vai em 13,8%? Segundo o Irish Times (30.9.10) a agência de notação (rating) Fitch declarou que o governo tinha «ganho tempo para produzir um plano fiscal para 4 anos» e manteve a notação (AA-) inalterada. O comissário europeu para a economia, Olli Rehn, declarou «apoiar fortemente a forma como o ministro das Finanças [irlandês] geriu a questão». E o comissário europeu para a concorrência, Joaquim Almunia, «saudou a declaração […] afirmando que traz clareza». Pelos vistos, não é com qualquer buraco orçamental que os mercados se enervam e precisam de ser «acalmados». Quando estão a mamar da maxi-teta do Estado ficam mansos.

A necessidade de «acalmar» os mercados virá, fatal como o destino, quando se tratar de cortar salários, aumentar impostos sobre o povo, dar novas machadadas orçamentais nas funções sociais do Estado. Que já estão a ser preparados pelo governo irlandês: «Já olhámos para as leis da segurança social, para as leis das reformas. Vamos ter de olhar para todas essas questões» afirmou o ministro das Finanças, ao anunciar que prepara um novo pacote de «austeridade» (Bloomberg, 11.10.10).
Num relatório do FMI sobre Estabilidade Financeira Global afirma-se (telegraph.co.uk, 5.10.10) que: «os governos terão de injectar nova liquidez nos bancos – em particular em Espanha, Alemanha e nos EUA». Solícito, o comissário europeu Almunia declarou que iria prolongar as medidas excepcionais de apoio ao sistema bancário, indústria e comércio: «não estamos ainda em condições de voltar ao regime normal. Sabemos que ainda há instituições … que precisam deste apoio estatal através de injecções de capitais públicos» (Financial Times, 5.10.10). Isto, apesar dos conhecidos lucros dos últimos meses. E nem se pense em taxar transacções financeiras, advertiu o presidente do Banco Central Europeu (euobserver.com, 1.10.10): há «desvantagens económicas, financeiras […] e técnicas». Quanto ao povo, que coma brioches.

Mas o sistema capitalista mundial está a ranger por todos os lados. O ex-presidente da Reserva Federal, Paul Volcker, falando num simpósio em 23.9.10, disse que «o sistema financeiro está quebrado. Usámos essa palavra em finais de 2008 e infelizmente penso que ainda é correcto usar essa palavra». O ex-economista-chefe do FMI, K. Rogoff, diz que «A bancarrota grega é inevitável. Há 95% de hipóteses de que a Espanha acabe na bancarrota. A Hungria está à beira do precipício. As coisas vão ficar muito piores na Europa do Leste. Há vários países que vão para a falência. Há vários países da zona euro que fariam melhor em tirar uma licença sabática em relação ao euro durante um ano. A situação nos EUA é muito preocupante» (Der Spiegel, 4.10.10).
Como se sabe, em 1789 o povo de Paris, sem pão nem brioches, resolveu o problema por outras formas. Também foi assim na Rússia, vai agora fazer 93 anos. Há sempre soluções, quando as classes dominantes nada têm para oferecer senão miséria e guerra.